Por que avaliar por Habilidades e Competências?

Desde que a Finlândia declarou uma mudança em sua grade curricular e modelo educativo, o meio educacional esquentou a discussão sobre um novo formato de ensino e avaliação por aqui. O chefe do desenvolvimento curricular do ministério finlandês, Irmeli Halinen, esclareceu, baseando-se na seguinte premissa:

Teremos sete áreas de competências transversais que deverão ser desenvolvidas em conjunto com as disciplinas escolares. Esta é uma nova maneira de combinar o ensino baseado em competências com aquele baseado nos assuntos.

Ao que tudo indica, o sistema educacional brasileiro parece caminhar no mesmo sentido, ao menos no que diz respeito à avaliação. Com objetivo de modernizar os métodos de avaliação, o ENEM, seguindo tais tendências globais, anunciou ainda em 2009 que suas questões seriam elaboradas com base em uma Matriz de Referência que, basicamente, avalia os candidatos por meio de competências e habilidades. (Confira aqui toda a matriz do ENEM)

Se torna evidente, então, a importância da comunidade escolar nessa readaptação, que, é claro, exige tempo e planejamento, para que o corpo docente, os diretores e até os estudantes se habituem a um novo sistema de avaliação. Agora vamos entender melhor quais são as consequências pedagógicas e adaptativas – para a escola – de adotar a avaliação por habilidades e competências.

  1. Não tem jeito! Se o modelo entra na avaliação precisa entrar também no ensino.

Quando a escola elabora seu PPP e cronograma anual deve considerar esta readaptação. A Dra. Lenise Aparecida Martins Garcia, professora da Universidade de Brasília, ilustra a pouca importância que é dada ainda hoje ao assunto:

Uma professora me perguntou: O que é isso de habilidades que estão falando na minha escola?. Depois de explicar um pouco, ela me respondeu: Ah, são aqueles verbinhos que a gente coloca nas reuniões de início do ano na frente dos objetivos de ensino? Já aprendi a fazer isso faz tempo!

É provável que a lista de objetivos cheias de “verbos” fique na gaveta de alguns professores, coordenadores e diretores durante o resto do ano enquanto, enquanto se ministra “o conteúdo”.  Por isso, é preciso romper o hábito, entender que as competências e habilidades são mais que o assunto de uma reunião anual e devem ajudar a remodelar e fundamentar o plano. É preciso considera-las como objetivos de ensino, tal como é feito com as disciplinas.

  1. As escolas têm a oportunidade de trocar o foco no registro de conteúdo pelo o foco na aprendizagem

A base para avaliação em competências e habilidades é o foco no aprendizado e nos objetivos, ou seja, não são os conteúdos que definem as provas e sim os processos mentais que levam ao entendimento do conteúdo. Isso facilita a mobilização do conteúdo e dá prazo de validade à “decoreba”, pois não basta mais o aluno saber a “fórmula x” de cor, ele precisa entender como aplicá-la em diferentes situações. O conteúdo se torna um aliado do cotidiano do aluno e não mais um tema que só será utilizado em uma prova da escola.

Avaliações focadas em habilidades e competências (principalmente quando elaboradas no modelo do ENEM), geram, portanto, um ciclo saudável de aprendizagem útil ao aluno. Quando esse modelo é adotado, os benefícios ultrapassam a preparação para o ENEM e o vestibular e chegam até a preparação para a utilização dos aprendizados na vida.

  1. Acompanhar essa tendência requer atualização, audácia e paciência…

Mas também precisamos admitir que as escolas que souberem se adaptar à mudança serão, certamente, alvo de atenção no Brasil.

Este é o cenário: os alunos possuem todo o conhecimento à disposição na internet, portanto, não há mais porque defender o saber desmedido, enciclopédico e focado na memorização de conceitos; e mercado de trabalho atual requer o desenvolvimento de novas habilidades. O foco no desenvolvimento e na avaliação de habilidades e competências favorece a mobilização do conhecimento para a aplicação em outro âmbitos da vida. Se aliarmos uma coisa à outra, entendemos facilmente porque é positiva a ação de aliar os conteúdos às competências.

A reforma é grande, mas é fato que as escolas que se propuserem a realizar tais mudanças primeiramente também terão suas importâncias devidamente reconhecidas. É possível iniciar o processo com pequenas mudanças como a aplicação de avaliações que seguem esse modelo. Com resultado das avaliações é possível entender quais competências e habilidades devem ser melhor trabalhadas no dia a dia da escola, em conjunto com o trabalho de conteúdos e conceitos. E a recompensa é uma instituição com famílias mais satisfeitas, alunos mais preparados para o futuro e melhores resultados em avaliações nacionais.

E então, sua escola está pronta? Já adotaram alguma mudança nesse sentido? Conte para nós!

Faça o download gratuito: Matriz de Referência do ENEM - MISSU para Escolas

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