Orientação Profissional na Escola: Realidade ou Desafio?

Atualmente, os alunos brasileiros dispõe de mais de 20 mil cursos superiores reconhecidos pelo MEC. Além disso, com a evolução da tecnologia surgem diversas novas opções de carreira a cada ano. Este é um excelente cenário para oferecer aos jovens uma ampla gama de profissões.

Mas como a escola pode acompanhar esse cenário e oferecer a orientação de carreira aos alunos?

A falta de uma orientação profissional atualizada acaba por dificultar ainda mais a escolha do aluno. Muitos optam por uma carreira levando em conta apenas a opinião familiar, tradição, remuneração ou alta do mercado naquele ano.

É importante que a comunidade escolar auxilie o jovem neste processo, para que ele se sinta mais seguro com a escolha e saiba exatamente que razões o levaram a este caminho. A escola deve prepará-lo para os desafios da sua próxima “escola”, seja ela a faculdade, o mercado de trabalho ou a vida.

Coaching Vocacional

Antes mesmo de oferecer as opções possíveis, a escola precisa apoiar o aluno em uma autoanálise, que o leve a respostas sobre quais são seus valores pessoais, seus objetivos de vida e carreira e com o que eles se identificam. As orientações não podem acontecer somente no âmbito profissional, pois esse é um momento em que o jovem está em pleno processo de formação da sua identidade e ele precisa de ajuda para entender a si mesmo. Rodolfo Bohoslavsky, um importante psicólogo e teórico da orientação vocacional, cita que sua decisão profissional vai ajudar a formar sua identidade, já que o jovem também se verá representado pelo que a carreira significa na sociedade.

É nessa etapa que o coaching vocacional se mostra válido, por ser uma excelente ferramenta de descoberta pessoal e profissional. É importante pontuar que o coaching é uma atualização da orientação vocacional tradicional, pois esta última já não faz tanto sentido na sociedade atual. Hoje, o jovem não quer mais que outra pessoa o indique o melhor caminho a ser seguido. Ele deseja ser o protagonista de suas escolhas e decidir o caminho por si mesmo, levando em conta suas descobertas e as informações adquiridas. No coaching, isso é levado em consideração e o adolescente conta com inúmeras ferramentas de autoconhecimento. Para que a pressão do vestibular não interfira nos resultados do coaching, a escola pode começar a realizar a prática a partir do 9º ano do Ensino Fundamental ou primeiro ano do ensino médio.

Orientação sobre o dia a dia das carreiras

Uma pesquisa de 2013 realizada pela Universidade Anhembi Morumbi com alunos do 3º ano do ensino médio na cidade de São Paulo revelou que 59% dos alunos já escolheu a carreira que quer seguir (este índice chega a 63% nas escolas públicas). Contudo, apenas 46% declarou ter algum contato com a profissão escolhida. Ou seja: Menos da metade dos alunos que já escolheu sua carreira sabe, de fato, como será seu dia a dia.

Este quadro é cada vez mais comum, uma vez que a variedade de opções de carreira cresce a cada ano e há poucas informações disponibilizadas sobre as novas profissões. Isso faz com que o jovem não tenha conhecimento sobre as possíveis atuações e funções da área e entenda suas possibilidades dentro da profissão.

É importante que a escola ajude os alunos nesse desafio facilitando o contato entre os jovens e o dia a dia da carreira que desejam seguir. Isso pode ser feito por meio de: palestras com profissionais, workshops de carreiras e visitação a empresas de diferentes áreas. Essas iniciativas podem ser inseridas desde o ensino fundamental, para que o aluno comece a refletir sobre a sua identidade e a consonância com determinadas áreas, garantindo maior tempo de análise e assertividade. É importante que todas as atividades de carreira implementadas na escola respondam à questões tais como: a essas questões:

Quais são as principais características de um profissional da área?
Quais são as peculiaridades cobradas desse profissional?
Como está o mercado de trabalho para essa profissão hoje e qual é a previsão a longo prazo?
Quais são as opções de carreira nessa área?
Quais são as melhores empresas para se trabalhar?
Quais são os maiores desafios do ramo?
Quais são os impactos dessa profissão na sociedade em que vivemos?

Apoio emocional

A relação escola/aluno não é apenas definida pela aprendizagem, mas também pela afetividade. Esse é um pilar crucial no processo educativo que aproxima o corpo docente, os alunos e as famílias. Quando o aluno vê o professor como um exemplo, o respeita e o admira, ele passa a considerar a comunidade escolar também como um apoio social e emocional em seu processo de formação. A construção da confiança entre as duas partes faz com que o adolescente se sinta estimulado e apoiado nesse momento de tantas transformações.

O momento da escolha da carreira envolve ansiedade, indecisão, pressão dos familiares, amigos e da própria sociedade. Por isso o apoio emocional por parte da escola se mostra tão valioso. Os orientadores devem estar sempre atentos para frustrações e dúvidas dos alunos, esclarecendo que suas escolhas são muito importantes mas também podem ser modificadas sempre que isso for necessário. É importante que o jovem se sinta seguro e amparado para tomar as decisões, mas que também tenha consciência de que seu futuro depende dele mesmo.

Influência dos pais

É importante lembrar da influência dos pais na escolha de carreira de seus filhos. Em média, 41,21% dos jovens levam em consideração a posição dos pais com relação a uma carreira, foi o que mostrou a pesquisa realizada pela Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática com alunos da 7ª série do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Foi constatado também, que a área de Artes é a que menos recebe apoio dos pais, incluindo Música, Cinema, Dança, Artes Cênicas, entre outras. Ambos os dados evidenciam que a escola também carrega o desafio de auxiliar os pais na orientação de carreira dos filhos. Faze-los entender que uma profissão que não é tão tradicional não precisa ser sinônimo de fracasso profissional ou menos reconhecimento na sociedade é um dos maiores e mais importantes desafios da escola nessa etapa. Os pais também tem o papel de buscar informações sobre as novas profissões, entender os mercados e desenvolver opiniões fundamentadas sobre a escolha dos filhos.

É importante que a escola converse com os pais deixando claro que qualquer valorização ou desvalorização de uma profissão vai interferir na escolha final do adolescente. O processo de formação do indivíduo é baseado também no meio em que vive e nos valores que lhe foram propostos. Por isso, muitas vezes as opiniões dos pais estão enraizadas nos filhos – o que não é ruim mas pode dificultar o processo de escolha individual.

Com tantos desafios, fica evidente que a escola possui muita responsabilidade para auxiliar a orientação de carreira dos jovens. Esse auxílio pode fazer com que a escolha do aluno seja mais consciente, fundamentada e com que o momento seja um pouco menos complicado para ele, além de contribuir para a construção de um mercado de trabalho mais feliz, com profissionais mais satisfeitos.

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