O desafio de cobrir o currículo do Ensino Médio evitando a evasão escolar

O Ensino Médio é considerado o maior desafio da educação brasileira. Para contextualizar, o Brasil tem mais de 1,6 milhão de adolescentes entre 15 a 17 anos fora da escola, segundo uma pesquisa realizada pelo Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

De acordo com Tufi Machado, coordenador de pesquisa do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da UFJF, O excesso de disciplinas e de componentes curriculares tornam o ensino médio penoso e desagradável. É um desmotivador importante para esses jovens”.

Atualmente, o currículo do Ensino Médio é composto por 13 disciplinas obrigatórias, além de cinco complementares a serem ministradas em conjunto com as demais. Tudo isso para ser coberto em três anos de estudo.

O currículo extenso do Ensino Médio somado a outros fatores faz com que a evasão escolar torne-se um desafio a ser vencido na educação brasileira. Confira abaixo mais informações sobre este fator preocupante:

currículo do Ensino Médio e evasão escolar

Qual o real objetivo do currículo do Ensino Médio?

Nesta etapa de aprendizagem, são muitas as discussões sobre o foco do Ensino Médio: proporcionar uma formação geral, qualificar para o mercado de trabalho ou preparar  para a universidade?

Uma recente pesquisa realizada pela Fundação Victor Civita, onde foram entrevistados jovens de baixa renda, de 15 a 19 anos, de São Paulo e Recife, apontou que  80% deles viam utilidade no que aprendiam em língua portuguesa e matemática, mas nenhuma das outras disciplinas teve importância registrada por mais de 42% de estudantes.

Hoje o indivíduo que conclui o Ensino Médio não está habilitado a nada. É apenas um generalista não preparado para o mercado de trabalho“, destacou Roitman, membro titular da ABC e coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da SBPC.

Muitos alunos tem a ambição de frequentar uma universidade, porém existe uma parte significativa que precisa pular esta etapa e ir direto ao mercado de trabalho por não ter condições para bancar os gastos universitários ou por precisar ajudar com as despesas da casa. Neste segundo caso, o Ensino Médio atrelado ao Ensino Técnico é primordial para a qualificação do estudante no momento de conseguir um emprego.

O currículo do Ensino Médio não representa o real interesse dos alunos, há uma estrutura muito rígida e extensa”, comenta Caio Carvalho, um dos idealizadores do MISSU.

Currículo baseado em competências e flexível

Desde 2009, o Exame Nacional do Ensino Médio vem modificando os padrões de avaliação e de ensino na etapa final da Educação Básica. O ex-ministro da Educação, Aloísio Mercadante, já falava na adoção de um currículo interdisciplinar que se baseasse nas quatro grandes áreas do ENEM:

🔸Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;

🔸 Ciências da Natureza;

🔸 Matemática e suas Tecnologias;

🔸 Ciências Humanas e suas Tecnologias.

Há uma forte tendência de uma reforma curricular no ensino médio, projeto de Mendonça filho, atual ministro da educação. O principal objetivo desta reforma é estabelecer o turno integral, aplicar disciplinas focadas na área de interesse que o aluno deseja cursar no ensino superior e prepará-lo para o mercado de trabalho. (Leia mais sobre a reforma do Ensino Médio aqui)

Esta proposta visa a aproximação da teoria à prática, o que, na visão de Carvalho, pode ser bastante interessante. “O componente curricular atual é descontextualizado da realidade deste aluno, por isso acredito em um currículo estruturado em espiral, preocupado em desenvolver essas competências no momento certo e com contextos relevantes para quem o estuda”, comenta ele.

Segundo Carvalho, este tipo de currículo atrairia 3 principais pontos positivos:

1.Aumento da motivação e sensação de relevância da escola por parte dos alunos

A realidade não se apresenta de maneira segmentada como é a divisão curricular atual, e os desafios e problemas envolvem mais de uma área do conhecimento e habilidade, por isso este modelo é assertivo, conectando áreas do conhecimento e permitindo que o aluno veja conexão entre o que se estuda e o que se vive. Haveria uma atribuição de relevância naquilo que a escola oferece, e consequentemente uma maior motivação.

2.Aumento da preparação para a vida e o ENEM

Além da preparação para o maior exame pré universitário do país, as competências, alinhadas com a realidade, seriam utilizadas também para aprender a se planejar, se relacionar com pessoas, entender contextos, conectar aprendizados, entre outras capacidades tão necessárias para a vida de maneira geral.

3.Alinhamento com modelos de ensino internacionais bem sucedidos

 

Este modelo educacional está alinhado com os EUA e Europa, por exemplo, o que transformaria o estudante em um aluno global, capaz de interagir em ambientes escolares diversos em outros locais do mundo”, esclarece Caio.

Por fim, existe uma grande mobilização em favor da flexibilização e divisão do Ensino Médio em três dimensões:

🔸 a primeira, de conhecimentos gerais;

🔸 a segunda, conectada ao contexto geopolítico, histórico e cultural do estudante;

🔸 a terceira, escolhida pelo próprio aluno e vinculada aos seus interesses profissionais, respeitando as áreas do conhecimento com as quais ele se identifica e deseja seguir. Isso já acontece em escolas na França, Austrália, Inglaterra, Alemanha e Finlândia, em que a partir do 2º ano metade das disciplinas se tornam eletivas pelos estudantes.

Além de estimular a autonomia do aluno, esta adaptação individual poderia abrir as portas para maiores projetos profissionalizantes dentro da escola, com tópicos voltados ao empreendedorismo, ao ensino técnico, entre outras propostas profissionalizantes.

Como concentrar esforços em ENEM e vestibulares?

Enquanto o Ensino Médio oficialmente não possui um currículo baseado em competências, um dos maiores desafios das escolas é cumprir toda a grade curricular e ainda preparar os alunos para o ENEM e demais vestibulares.

Listamos algumas alternativas para  implementar o treino no cotidiano dos estudantes, com base em experiências de escolas que já trabalham dessa forma. Confira:  

💡 Crie plantões especiais a fim de sanar as principais dúvidas e dificuldades dos estudantes dos últimos anos do Ensino Médio. Abra também um espaço para resolução  de questões do ENEM e vestibulares;

💡 Promova debates e seminários com os assuntos da atualidade e com prováveis temas da redação do ENEM. Uma boa dica é só revelar o tema na hora, assim os alunos terão que se atualizar sempre;

💡 Motive os estudantes bonificando os mais dedicados na preparação para o vestibular (veja o exemplo do Colégio Crescer);

💡 Realize intervenções sobre as leituras obrigatórias dos vestibulares.

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E para você: quais são os maiores desafios da sua escola com o atual currículo do Ensino Médio? Você tem algum projeto ou solução para as questões apresentadas ou gostaria de pontuar as que foram apresentadas neste artigo? Escreva sua opinião nos comentários abaixo! 🙂

Projeto de Preparação do Ensino Médio focado em ENEM e vestibulares

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